Lusofonia: nove países, uma língua, agendas próprias.
A CPLP é a comunidade mais subutilizada de que Cabo Verde faz parte. Por aqui se entende porquê, e o que pode mudar.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa junta nove Estados em quatro continentes, 300 milhões de falantes e a oitava economia mundial, se somada. No papel, é um dos blocos linguísticos mais poderosos do planeta. Na prática, é uma estrutura morosa, subfinanciada e com pouca tradução em comércio, mobilidade ou cooperação concreta.
Esta discrepância é o ponto de partida de qualquer cobertura honesta da lusofonia. A pergunta interessante não é se a CPLP funciona, mas porque é que, com tantos ativos, ainda não conseguiu transformar a língua comum em economia comum.
Geografias de poder muito desiguais
O Brasil sozinho concentra dois terços dos falantes de português e três quartos do PIB combinado. Angola tem a segunda economia. Portugal funciona como ponte para a União Europeia. Os restantes, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial, operam em escalas muito menores. Esta assimetria de poder dificulta a tomada de decisões coletivas.
“A lusofonia funciona melhor como rede informal de pessoas, capital e cultura do que como bloco diplomático formal.”
Mobilidade: o teste prático
O Acordo sobre Mobilidade da CPLP, assinado em 2021 e em vigor entre quase todos os Estados, é talvez a peça mais concreta da história da comunidade. Permite vistos facilitados, equivalências académicas e circulação de profissionais. A sua implementação real, não apenas o texto, é um dos indicadores que a HLI vai acompanhar de perto.
Cabo Verde como ponte
O arquipélago tem uma posição rara na CPLP: é o único Estado-membro insular africano, está geograficamente próximo do Brasil e da Europa, tem boas relações bilaterais com todos os outros membros e zero conflitos. É o candidato natural a função de mediador, papel que tem desempenhado, sem alarde, em várias crises regionais.
- Cooperação económica, cultural e científica entre países lusófonos.
- Mobilidade de talento e empresas no eixo Atlântico Sul–Europa–Brasil.
- Política externa e blocos de influência da CPLP.
- Análise crítica do funcionamento dos órgãos da comunidade.
A próxima década da lusofonia vai depender menos de cimeiras e mais de empresas, universidades, artistas e empreendedores que decidam usar a língua comum como infraestrutura de negócio. A HLI quer estar onde isso acontece.
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