Cabo Verde tem 734 mil km² de oceano. ESG começa por aqui.
A Zona Económica Exclusiva cabo-verdiana é maior que a soma de Portugal, Espanha e Itália. O oceano é o nosso maior recurso natural, e a maior responsabilidade.
Quando se discute ESG na Europa, fala-se principalmente de empresas e mercados financeiros. Em Cabo Verde, a discussão tem outra escala: começa na ZEE, a Zona Económica Exclusiva. 734 mil quilómetros quadrados de oceano sob jurisdição cabo-verdiana, quase 200 vezes o território terrestre.
Este oceano é, simultaneamente, o maior ativo económico do país e a sua maior fronteira ambiental. Governá-lo bem é um problema técnico, financeiro, diplomático e científico de alta complexidade. E é o tipo de problema sobre o qual quase não há cobertura jornalística sólida.
Pescas: o que está em jogo
Os acordos de pesca com a União Europeia, com a China e com outros Estados garantem receita pública e acesso a mercados, mas têm custos ambientais e sociais reais. A negociação destes acordos é, talvez, a área mais sensível da política externa cabo-verdiana.
“O oceano cabo-verdiano não é um fundo de quintal. É uma economia inteira, com leis, atores, regras e disputas próprias.”
Finança azul
A finança azul, instrumentos financeiros dedicados a economia oceânica sustentável, está em fase inicial. Cabo Verde tem condições para ser caso de estudo: uma combinação de ZEE imensa, capacidade institucional sólida e apetite internacional por experiências replicáveis.
- Pescas sustentáveis e aquacultura.
- Capital natural marinho e finança azul.
- Governação oceânica multilateral.
- Investimento privado em economia azul cabo-verdiana.
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