África lida desde dentro: o Atlântico Sul tem voz própria.
Cabo Verde está dentro de África. Mas a leitura africana mais interessante é a que se faz desde o arquipélago, fora das capitais do Norte, dentro do continente.
Há um problema na forma como África é coberta. Quase tudo o que se publica sobre o continente é escrito desde fora, Londres, Paris, Washington, Joanesburgo. A consequência é uma narrativa fragmentada, dramatizada e quase sempre comparativa: África medida contra a Europa, contra a China, contra um ideal que ninguém escolheu.
A HLI propõe outra coisa: ler África a partir de um ponto africano que não está sobredeterminado pelas suas próprias urgências. Cabo Verde, Estado africano, mas insular, sem fronteiras terrestres, sem conflitos étnicos, sem ambições hegemónicas, oferece esse ponto de observação.
Um continente em integração
A Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf), em vigor desde 2021, é a maior zona de comércio livre do mundo por número de países: 54 Estados, 1,4 mil milhões de pessoas, um PIB combinado de 3,4 biliões de dólares. Está longe de funcionar plenamente, mas é a maior aposta de auto-organização que o continente fez em décadas.
Paralelamente, a CEDEAO, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, atravessa a crise mais profunda da sua história, com a saída do Mali, Burkina Faso e Níger. A reorganização da África Ocidental nos próximos cinco anos vai determinar o ambiente de negócios e de segurança de toda a região atlântica, incluindo Cabo Verde.
“O século XXI africano não vai ser decidido em conferências em Genebra. Vai ser decidido em Abuja, Adis Abeba, Kigali, Luanda, e na capacidade de articulação entre elas.”
As novas elites económicas
Uma geração de líderes africanos nasceu depois das independências e construiu carreiras sem o complexo da descolonização. São economistas formados em Lagos, Nairobi e Pretoria, fundadores de fintechs com presença em vários países, gestores de fundos soberanos com capacidade de decisão real. A HLI vai cobrir esta geração com a profundidade que merecem, em vez de a reduzir a 'casos de sucesso' isolados.
Diplomacia e mundo multipolar
África deixou de ser objeto e passou a ser sujeito da geopolítica global. Os países africanos foram cortejados por Washington, Pequim, Moscovo, Bruxelas, Ancara, Abu Dhabi e Brasília, todos em busca de votos, minerais, alianças militares ou contratos. A capacidade africana de jogar esta multipolaridade a seu favor é, hoje, um dos campos mais interessantes da política internacional.
- Integração regional, comércio intra-africano e mobilidade de pessoas.
- Liderança política, sociedade civil e empreendedorismo continental.
- Diplomacia, segurança e o lugar de África no mundo multipolar.
- Crónicas regulares de Abidjan, Dakar, Lagos, Nairobi, Luanda e Maputo.
África é o continente mais jovem do mundo. As decisões que os seus governos e empresas tomarem na próxima década vão definir o século. Vale a pena lê-las com seriedade.
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