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Opinião · Danielle Stescki

Liderar a partir de Cabo Verde é uma vantagem, não uma desvantagem.

Há uma narrativa instalada que trata a periferia como handicap. A história contemporânea da liderança atlântica diz o contrário.

Redação HLI Praia, Cabo Verde21 de Junho de 2026 5 min de leitura

Crescemos a ouvir que estar 'longe' era um problema. Que liderar uma instituição com sede num pequeno país do Atlântico seria sempre um exercício de provar que somos capazes, ainda, ao lado do que se faz nos grandes centros. Esta narrativa, durante décadas, foi internalizada. E está errada.

A periferia tem três vantagens que o centro perdeu. A primeira é distância para pensar. Quem está dentro de bolhas profissionais densas, Londres, Nova Iorque, Lisboa, vive em consenso. Os melhores cafés da cidade frequentados pelos mesmos rostos produzem visões alinhadas, leituras parecidas e pontos cegos partilhados. A periferia obriga ao contrário: a quem lidera daqui, é dada a graça do desconforto constante.

A periferia obriga a ler o mundo, não a repeti-lo. Esta é a sua maior dádiva.

A segunda vantagem é a escala humana. Em Cabo Verde, qualquer líder está a três ligações de qualquer interlocutor. Isto significa que decisões podem ser testadas, ajustadas e implementadas com velocidade que organizações enormes apenas sonham. O que noutro contexto exige sete reuniões e três memorandos, aqui resolve-se com uma chamada e um café.

A terceira é o sentido de propósito. Quando se lidera num pequeno Estado, sabe-se que as decisões importam. Não há diluição. Cada projeto pesa visivelmente na vida das comunidades. Esta proximidade é exigente, e é também o melhor antídoto contra a abstração que corrompe lideranças desligadas.

Há, naturalmente, dificuldades reais. Mercados pequenos, capital limitado, talento que migra. Não as ignoro. Mas esses obstáculos são endereçáveis com estratégia. A inferioridade pressuposta, essa, não é. É uma narrativa que escolhemos manter, ou abandonar.

Lidero a Human Leaders Insight a partir da Praia por opção. Não por nostalgia, não por militância, não por falta de alternativa. Por entender que o melhor sítio para olhar o mundo é aquele de onde se vê mais.

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